Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

Perfil Fábio Seixas, 38, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva

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Linha de chegada

Por Fábio Seixas
22/08/13 17:11

Pronto, comecei. O mais difícil num blog talvez seja começar. Pensei numa espécie de prólogo, num prefácio, numa lista de agradecimentos, numa apresentação detalhada do que imagino para este espaço. Mas não. Qualquer coisa assim deixaria esse início muito formal, muito maçante, engessaria o formato e isso é tudo o que quero evitar, sempre.”

*

Naquele 7 de setembro de 2006, escrevendo na sala de imprensa de Monza, eu não sabia. Mas o mais difícil num blog é encerrá-lo.

Não sei ao certo quantos posts escrevi aqui ao longo destes quase 7 anos _a antiga ferramenta de blogs não fazia esta contabilidade. Nesta nova plataforma, que estreou em fevereiro de 2012, este é o 632º.

Fazendo um simples regra de três, cheguei a 2.879 textos. Parece razoável.

Quase 3.000 textos, e satisfação sempre enorme.

Sempre gostei de contar histórias, e blogs proporcionam isso. Sem limites de espaço, podendo usar uma linguagem mais solta e voltando ao tema quando achasse apropriado.

Publiquei posts de 1 linha e outros que mais pareciam teses de mestrado. Foram muitas fotos, muitos vídeos, muitos gráficos, muitas palhaçadas, muitas análises sérias.

E alguns posts inesquecíveis, pelos menos para mim.

Como aquele, quando conseguimos reunir os ingressos de todos os GPs Brasil.

Ou os posts na cobertura dos Jogos de Pequim. Ou aqueles da minha viagem maluca na Copa de 2010, 31 países em 31 dias. Ou o áudio da entrevista do Bernie, em que ele disse que a morte de Senna foi boa para a F-1 _declaração que tentou negar depois, em vão.

Mais recentemente, publiquei aqui, em primeira mão, os contratos de Senna e Piquet com a Lotus.

Houve ainda posts pessoais. Foi difícil segurar a emoção ao escrever do nascimento da Julia ou da primeira vez dela num estádio de futebol.

Tudo isso nos tornou amigos. Vocês e eu.

É assim que eu os considero, de verdade.

Vocês não só me ajudaram a fazer o blog como tornaram este espaço um dos campeões de audiência da Folha. Nesses anos, foram mais de 150 mil comentários.

Conseguiram algo raro: me deixar sem palavras para dimensionar a gratidão.

O blog para por aqui porque o mundo gira.

Aceitei um imenso e fantástico desafio profissional.

A boa notícia é que haverá um novo “Blog do Fábio Seixas”, em outro endereço, em outra casa. Vocês, meus amigos, estão todos convidados.

Antes de ir, alguns avisos.

O Ramiro Marote, que sempre organizou o “campeonato dos palpiteiros”, vai manter a brincadeira até que meu novo blog venha ao mundo. A pontuação até agora será mantida, as regras são as mesmas, mas tudo acontecerá via Facebook. O endereço é este.

Continuo no Twitter. É por lá que trarei as novidades sobre meu destino e a nova casa do blog.

Pelo mesmo motivo do encerramento do blog, não estarei mais nas transmissões de F-1 das rádios Bandeirantes e BandNews FM. Mas vocês ficam em ótimas mãos, com a turma que continua por lá.

A coluna continua na Folha, impressa e digital, sempre às sextas-feiras.

Por fim, um enorme agradecimento à Folha pela oportunidade, pela liberdade e pela iniciativa de manter este blog vivo, no ar, mesmo após este último post.

O blogueiro vai, os arquivos do blog ficam.

Até mais.

Prometo não demorar.

E obrigado.

Programe-se

Por Fábio Seixas
21/08/13 17:02

Em 2002, não lembro o porquê, fui um dos últimos jornalistas a deixar a sala de imprensa de Spa, no domingo à noite.

O semblante dos voluntários lembrava o de garçons quando resta apenas uma mesa animada no bar, já com a madrugada avançada.

A alegria deles quando me viram arrumando a mochila foi tamanha que me deram de presente este cartaz, que ficava na entrada da sala, indicando os vários tipos de credenciais e os acessos possíveis. Hoje ele orna a cozinha de casa.

Pois bem… Passaram-se 11 anos e só outro dia percebi um detalhe.

O ícone de acesso às salas de entrevistas, naquele ano, trazia uma ilustração de três pilotos hipotéticos, lado a lado, a disposição normal das coletivas na F-1.

O assento do meio, como todos sabemos, é sempre dedicado ao vencedor da corrida. O centro das atenções.

Pois bem… Prestem atenção no queixo.


 
Uma brincadeira do designer, creio. Mas é um pitoresco retrato da força da hegemonia de Schumacher naquele início de milênio.

A FIA já dava por barato que aquele lugar era dele.

Mas, enfim, vamos falar de 2013.

Segue a programação do GP deste final de semana, no horário de Brasília:

sexta
5h-6h30: 1º treino livre
9h-10h30: 2º treino livre

sábado
6h-7h: 3º treino livre
9h: treino classificatório

domingo
9h: GP da Bélgica, 44 voltas

Spa-2000

Por Fábio Seixas
21/08/13 10:07

Para não dizer que só estamos falando de desgraças, o capítulo de hoje da série sobre Spa trata de uma das mais espetaculares ultrapassagens de todos os tempos.

Aliás, esta é uma pergunta recorrente. “Qual foi a melhor da história?”

Via de regra, o interlocutor brasileiro já sabe a resposta que quer ouvir: “Piquet sobre Senna na Hungria”.

Sim, aquela foi sensacional pelo controle do carro, pelo ponto da pista, pela tentativa na volta anterior, por ter sido por fora…

Mas eu prefiro a de Hakkinen sobre Schumacher em Spa-2000, com Zonta ensaduichado entre os dois.

Pela dinâmica da manobra. Pelo espantoso reflexo de todos os envolvidos. Pelos enormes riscos. Pela velocidade dos carros.

E por ter sido num lugar mítico, a reta Kemmel, entre a Eau Rouge e a Les Combes.

Hakkinen saiu na pole position naquela corrida _asfalto traiçoeiro, meio molhado, meio seco, típico de Spa.

Schumacher era só o quarto no grid.

O alemão, porém, foi avançado. E contou com uma rodada do finlandês na Stavelot, na 13ª volta, para assumir a ponta.

Mas Hakkinen estava endiabrado naquele 27 de agosto. Começou a apertar o ritmo após a última parada nos pits. E, àquela altura da prova, quem enfrentava problemas era o rival: pneus desgastados.

Na 39ª das 44 voltas, Hakkinen chegou. Grudou sua McLaren na traseira da Ferrari e tentou passar pela direita na Kemmel.

Schumacher fechou a porta, o finlandês chegou a triscar a grama, fez um gesto de reprovação com a mão esquerda e preparou-se para um novo bote.

Que veio na volta seguinte, no mesmo ponto, a 340 km/h. Com uma participação especial: Zonta, da BAR, retardatário.

Os dois rivais encontraram o brasileiro no meio da pista, lento, não querendo atrapalhar. E numa ínfima fração de segundo, cada um tomou sua decisão: Schumacher foi pela esquerda, Hakkinen mandou-se pela direita.

Uma matéria completinha sobre aquele dia está neste vídeo produzido na Itália…


Vitória do finlandês, que disse após a prova ter se aproveitado do vácuo de Zonta e aproveitou para tirar uma casquinha do alemão.

Schumacher, com cara de poucos amigos no pódio, admitiu que não imaginava que Hakkinen tentaria ir pelo outro lado, com tão menos espaço.

(Hakkinen, registre-se, foi um excepcional piloto, o maior rival que o alemão teve.)

Esse tipo de coisa só acontece em Spa.

Spa-1960

Por Fábio Seixas
20/08/13 11:16

Dois pilotos mortos em acidentes diferentes num intervalo de 20 minutos.

Esta é a história do GP da Bélgica de 1960.

Uma corrida sombria antes mesmo de começar e que guarda semelhanças com Imola-94.

Na sexta-feira, Stirling Moss bateu na Burnenville após o eixo de sua Lotus 18 quebrar e foi catapultado pra fora do carro. Quebrou as duas pernas.

Outro inglês, Mike Taylor, que fazia sua segunda corrida na categoria, também sofreu um problema com uma Lotus 18 _barra de direção_, acertou as árvores e se arrebentou todo. Sobreviveu, mas nunca mais correu na F-1.

No domingo a coisa foi ainda pior.

Na 19ª volta da corrida, Chris Bristow, também inglês e fazendo seu quarto GP na F-1, perdeu o controle na Malmedy e bateu. Foi encontrado fora do carro, um Cooper T51, incendiado. Morto.

O GP em curso, com o carro de Bristow em chamas


 
Cinco voltas depois, Alan Stacey _sim, inglês e com uma Lotus 18_, foi acertado por um pássaro quando estava em sexto lugar, na Burnenville.

Sem controle, seu carro decolou em um barranco. Stacey atravessou um cerrado matagal e foi parar num campo aberto. Morto.

Uma página triste na história do circuito mais espetacular da F-1.

(Por motivos óbvios, este post fica valendo como o “Naftalina” desta semana.)

Por um detalhe

Por Fábio Seixas
20/08/13 10:23

Depois do “Bild”, foi a vez de a BBC, via Eddie Jordan, sugerir que a Ferrari pode anunciar Raikkonen no final de semana de Monza.

Empresário do finlandês, Robertson disse que está conversando com muita gente, o que inclui a turma de Maranello.

Colega muito bem informado, Peter Windsor tuitou que a relação entre Montezemolo e Alonso não melhorou nas últimas semanas e que a ideia é formar uma dupla Raikkonen-Vettel em 2015.

Sempre houve dois entraves para imaginar Raikkonen novamente de vermelho.

O primeiro, a também conturbada relação dele com o presidente da escuderia.

Mas nada como o tempo para cicatrizar feridas. E lá se vão quatro anos.

“A necessidade obrigou, você a me procurar”, cantava Bezerra da Silva, num clássico.

“Você era orgulhosa, mas a necessidade acabou com a sua prosa…” Apropriado para a ocasião.

Por este aspecto, já não acho tão impossível assim.

O segundo, o contrato de Alonso. É normal supor que o espanhol tenha uma cláusula que lhe dê poder de vetar o companheiro. Muita gente, inclusive eu, se apegou a esta crença.

Mas será que tem? Não esqueçamos de que ele estava em baixa quando assinou o contrato, decepcionado após a passagem pela McLaren e seu segundo período na Renault.

Este é o xis da questão.

Disso depende a formação da Ferrari para 2014.

Spa-1998

Por Fábio Seixas
19/08/13 12:06

Está chegando a hora.

E nada melhor do que encerrar as férias da F-1 com uma corrida em Spa…

Durante a semana, o blog vai lembrar de alguns lances marcantes vividos no mais espetacular circuito da categoria.

Começando pela corrida de 1998, que vai completar 15 anos (já?!?) na semana que vem…

Primeiro, o acidente na largada. Um engavetamento dos mais impressionantes.


No total, 13 carros bateram e apenas 18 tiveram condições de participar da segunda largada. Quatro equipes viram seus dois carros envolvidos na batida.

Mais pra frente, o lance mais polêmico da corrida: a batida entre Schumacher e Coulthard.


O escocês era retardatário, vinha tomando bandeira azul, mas não deixava Schumacher passar.

(E, sim, era companheiro de equipe de Hakkinen, líder do Mundial).

Já o alemão liderava a corrida, tinha 40 segundos de vantagem sobre Hill, mas queria mais. Tanto ímpeto deu no que deu: sua Ferrari virou um triciclo.

Anos depois, revendo a cena, mantenho a opinião de que Schumacher errou.

Após a batida, quase houve porradaria nos boxes. Schumacher foi atrás do escocês, mas acabou sendo contido.

A vitória acabou caindo no colo de Hill. Foi a 22ª e última da carreira do campeão de 1996.

O acidente mudou os rumos daquele Mundial. Se tivesse vencido a prova, Schumacher deixaria a Bélgica com três pontos de folga na ponta da tabela. Com o acidente, continuou sete pontos atrás de Hakkinen, que, três GPs depois, sagraria-se campeão mundial.

Faça sua aposta

Por Fábio Seixas
16/08/13 03:00

Os dias passam na folhinha, as férias da F-1 vão chegando ao fim e aproxima-se o momento em que a Mercedes terá de tomar uma decisão.

O dilema está diante de Brawn, Lauda, Wolff, Fry e Lowe, o quinteto que comando o time.

Direcionar esforços, atenções e recursos no desenvolvimento do carro de 2013, tentando um possível _mas improvável_ título mundial, ou apostar tudo em 2014?

Da resposta depende o rumo da segunda parte do Mundial, que começa daqui a uma semana, em Spa. Sem a concorrência da

Mercedes, Vettel deve cruzar com facilidade para o tetracampeonato. Com Hamilton e Rosberg no cangote, ficará no mínimo mais complicado.

Após três anos de aprendizado e resultados opacos, a Mercedes é a equipe que mais cresceu ao longo desta temporada. Uma evolução clara, GP a GP.

Primeiro, fez o carro ficar rápido. Depois, tornou-o confiável.

Os números, desta vez, não mentem. Em dez etapas até agora, a equipe alemã conseguiu sete poles (as outras três foram da Red Bull) e três vitórias (todas nas cinco últimas corridas). É a bola da vez. Sua curva é ascendente, enquanto as das rivais estão na mesma.

O problema é o tempo perdido no começo do ano. Enquanto a Mercedes patinava, Vettel e a Red Bull venciam e pontuavam. Hoje, o tricampeão lidera o campeonato com 172 pontos. Hamilton é só quarto, com 124.

Continuando no atual ritmo, o inglês pode até entrar na briga no final do ano. Mas será suficiente? Ou é melhor desistir e mergulhar com tudo em 2014? Eis a questão.

O passado recente da turma que trabalha por lá pode ajudar na decisão.

Em 2008, quando a fachada da fábrica de Brackley exibia o logotipo da Honda, a situação estava feia. Com Button e Barrichello, o time foi apenas o antepenúltimo no Mundial, com um carro que o brasileiro classificou de “porcaria”.

No meio daquele ano, com a vaca já atolada no brejo, a direção técnica jogou a toalha, abandonou o desenvolvimento do RA108. Enquanto Ferrari e McLaren se engalfinhavam na disputa por um campeonato que só terminou na última curva, Brawn, Fry e companhia começaram a planejar o ano seguinte.

Deu certo. Deu muito certo. Mesmo sem o apoio da Honda, a equipe brilhou em 2009. Batizada de Brawn e carregando uma revolução técnica _o difusor duplo_, ganhou seis das sete primeiras corridas, sempre com Button. Foi o suficiente para que o inglês e o time fossem campeões.

Em 2010, nova mudança na fachada: saiu o logo da Brawn, entrou a estrela de três pontas.

Mas a receita do sucesso continua lá.

(Coluna publicada nesta sexta-feira na Folha de S.Paulo)

Quando motores rugiam

Por Fábio Seixas
15/08/13 13:24

A dica é do Samuel Siqueira Bueno e levanta novamente uma questão já abordada por muitos de vocês quando da divulgação do vídeo com o motor da Mercedes para 2014, no começo do mês.

Para facilitar a comparação, vou copiar aqui aquele vídeo. Mais importante do que ver é ouvir.


Nos comentários àquele post, houve quem comparasse este ronco ao de um liquidificador.

Agora fiquem com o Matra V12 da Ligier de Jacques Laffite em Monza-78.


No começo, alguém, talvez Laffite, diz: “Este é o som da potência”.

Nada a acrescentar.

Raikkonen-Alonso-Vettel

Por Fábio Seixas
14/08/13 15:10

 

“Ilta Sanomat” deu que Raikkonen decidiu correr na Ferrari no ano que vem e a notícia se espalhou pela internet hoje.

O jornal finlandês, por razões óbvias, acompanha de perto o campeão de 2007 e, via de regra, dá bons furos sobre sua carreira.

Merece crédito e atenção.

Mas toda regra tem sua exceção. Acho que esta é uma furada.

Posso quebrar a cara, lógico, e não seria a primeira vez. Mas não acredito na possibilidade de o finlandês dividir a equipe com Alonso.

Primeiro, porque Raikkonen e Montezemolo se detestam. Segundo, porque isso iria contra toda a tradição ferrarista dos últimos anos: desde Mansell e Prost, em 1990, a equipe não junta dois pilotos top dentro dos mesmos boxes.

Ah, mas Alonso estaria indo para a Red Bull, diz o jornal. Dividiria o time com Vettel.

Bom, acredito menos ainda nisso. E a razão é a personalidade desses dois pilotos.

Mas o jeito é esperar.

(Em tempo: torço para que eu esteja enganado. Uma sacudida assim no grid seria sensacional.)

Novidade na rede

Por Fábio Seixas
13/08/13 15:55

E pintou uma bela novidade na blogosfera da Folha: o “Por Dentro da Seleção”, produzido pelo Martín Fernandez, dos melhores repórteres que conheci nesses anos de profissão.

O catarina-uruguaio já começou com tudo, direto da Suíça, onde o Brasil joga amanhã.

Visita diária obrigatória a partir de agora, às vésperas de uma Copa do Mundo no país.

O link é este aqui.

Ao amigo, os melhores votos de sucesso!

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